Labirinto


Eu procuro demais por não sei mais o que. E esta procura aos poucos esta me matando. Perdi as pistas que me levavam à saída, as passagens que me guiavam por este labirinto da vida, e hoje eu me perdi. Me perdi enquanto todos saíram daqui, rodei em círculos tentando de qualquer forma um jeito mais fácil, uma maneira sem sofrimentos de alcançar o final, mas não achei.
Eu sou apenas mais um rosto na multidão, enquanto caminho despercebido, sem ninguém sequer entender o que acontece dentro de mim.
Esta vida, se parece como uma prisão. Sem grades, sem muros, e perpetua. Uma eterna sentença de morte, sem morrer. Meus deuses só escutam meu silencio, enquanto eu luto sozinho, procurando por não sei mais o que. Meus deuses se calaram e assistem a meu declínio.
O que eu supostamente deveria fazer? Quem me dá esta resposta? Eu grito por dentro por proteção, por segurança, por força. Grito!
E os anos passam, me tirando as armas potenciais, que eu também não me importo mais. Me deixando com as palavras de protesto, as únicas verdades em que posso acreditar.
Ninguém é feliz sozinho.
Mas você não precisa se importar, pois eu não preciso ser aquilo que não consigo. Eu não preciso me tornar algo sem alma para ser feliz. O que é ser feliz?
As coisas que sinto não são amor, nem ódio. Não retratam seus olhares, não demonstram seus gestos, não rebatem em sua alma. O que fazer para se sentir feliz sem razão. Eu não acredito.
O que não preciso são de pessoas querendo me dizer o que sou, preciso de pessoas que sabem o que sou. Esta é a diferença.
Creio que já estive fora deste embaraço da vida, mas acabei jogado novamente dentro deste infinito caminho em círculos, e não sei mais sair, realmente.
O que fazer quando não se procura a felicidade aonde ela se encontra? Quantas perguntas, quanto anseio por sinais enquanto olho para o céu. Negro.
Não existem milagres, eles não acontecem aqui, não existe por acaso, nada é sem querer.
Quando eu vou encontrar a saída? Talvez eu jamais a encontre novamente. Talvez eu nunca realmente tenha achado.
Continuo gritando por dentro por proteção. E acho que já é tarde demais. Tarde demais pra sair daqui.
Pois você não consegue mais me encontrar.

Amor e Ódio

Loucos quando nos demos as mãos, correndo perante aqueles que jamais enxergariam o que éramos, e nossas bocas se tocaram pela primeira vez, para nunca mais se esquecerem. Cruzei e derrubei as barreiras de um mundo inteiro para poder te ter, além de tudo que eu poderia ter, e esperei suas respostas, que vieram com tanto fogo e paixão que eu mesmo me surpreendi. E daquele dia em diante, fomos tão intensos que nos sentimos culpados. Mas fomos intensos.
E enquanto eles riam, enquanto eles procuravam entender, eu olhei em seus olhos para sempre. E daquele dia diante ninguém mais nos separou. Daquele dia em diante, as respostas nunca mais foram secas, as palavras nunca mais foram frias, nossas vidas nunca mais foram as mesmas.
Isto é amor, insano e inquieto amor, que me proíbe de ter você, e te proíbe de me alcançar, mesmo quando está em meus braços, este estranho amor te tira de mim, ao amanhecer do dia, ao despertar da realidade, este louco amor que me trouxe você, leva distante nossas vidas.
E então desaparece, some por meses e meses, me torturando, enlouquecendo, rebuscando nas lembranças seus suspiros, tentando sentir aquilo que só existe com os dois juntos, lutando para não enlouquecer ao entender que você não esta, porque a vida não quis que estivesse. E percebo que seus passos estão seguindo outros passos, que sua vida gerou outra vida, seguindo aqueles passos, e eu entro em colapso.
Isto é ódio, mais puro e maldito ódio, que me faz desejar apenas poder te ver em meio a todos os outros, que chama sua atenção enquanto você finge que eu não existo, mas eu existo dentro de você sem controle, e você se mata por dentro por me amar.
Daquele dia em diante, não existiu mais o certo e errado. Ninguém mais pode julgar. Seus sonhos antigos desmancharam, dando lugar a paixão.
E ate hoje quando você sorri pra mim, eu recebo em meu coração. E ele transborda de satisfação por saber que longe de todos eles, quando os seus olhos se fecham como os meus, você é tão minha quanto eu sou seu.

Tão minha quanto eu sou seu.

Recriando

Realmente o que eu reflito com minha aparência se confunde com o que eu reflito com minha alma. Isso porque o inferno que vivo dentro de mim transborda pelas minhas palavras, sem que eu consiga segurar. É como prender a respiração e agüentar o máximo que puder. Ou você inevitavelmente solta, ou morre.
Eu percorro uma estrada interminável, gostaria de ser mais forte e estender meus braços para ser puxado, mas na frente, pelos caminhos que ando, não vejo ninguém. Existem os que padeceram e os que tomaram caminhos diferentes. Então não há o que fazer. Esta é uma guerra onde luto sozinho.
Eu despenquei de tão alto, que meus joelhos cravaram no chão com a força de três vidas, e então, desde então, eu tento me levantar. Com feridas, dor, cicatrizes, e sem forças.
Ao meu redor nada além de promessas de amor, suspiros de paixão, ilusões de saídas que não refletem a verdade. São sorrisos mortos, demônios que batem palma cada vez que eu os procuro, e recaio ao circulo vicioso que cresci dentro enquanto todos se distanciaram, não houve ajuda, não houve alternativas.
Eu sinto o gosto amargo do arrependimento por não ter me arrependido na hora certa. Por não ter dado dois passos para trás ao invés de um pulo à frente.
Na minha pele eu trago cicatrizes e dor, marcas do que eu sou por dentro. Mas o que eu deveria ser para você que não consigo ser nem para mim? Por favor se existe algo que eu não vejo, me mostre. Eu engoli todo meu orgulho, absorvi todas suas perguntas e não sei qual a porra da resposta que devo dar, nem sequer para mim.
Se talvez eu simplesmente andasse para frente sem olhar para trás, o que restaria? Se eu fechasse os olhos para aquilo tudo que vivi e recriasse um universo onde ainda não existissem vocês, mas não consigo reconstruir isso.
Eu esperei demais. Eu esperei demais acreditando que não deveria aceitar o fim, mas descobri que tudo acaba, mesmo a minha força de persistir.
Esta é minha vida, que eu construo e relato aqui inspirado em momentos e fragmentos que recolho das noites que desperto sem entender a razão de estar aqui, e todos os meus erros vem a tona, e quem não erra?
Eu gostaria de um dia lembrar de tudo isto, vendo tudo de longe, como um passado que um dia me fez mal, mas que servirá de exemplo, de lição para nunca esquecer de que já fui forte o bastante ao ponto de não aceitar que que eu poderia me arrepender.
Hoje ele existe.

Medo

O que esta na minha cabeça.
Chega uma hora que você não sabe mais o que sente. Chega uma hora que o vazio se torna tão profundo e tão agonizante que você entra em um modo de transe, se torna algo parecido com um zumbi.
Chega uma hora que é tão doloroso você se sentindo assim, que sua mente não consegue mais achar a saída e nem o porque de tudo que ela pensa, é um estado insano de sofrer.
Não é com dor, não é doente fisicamente, é uma dor indescritível. Algo que prende dentro de você e não te deixa mais falar ou reagir.
Eu to sozinho demais. Quem me pega pela mão? Eu to sozinho demais.
Hoje eu estou com medo. Muito medo. Talvez seja esse o sentimento que toma conta de mim. Medo. O pior deles. Ele é tão intenso que eu só penso em uma coisa: como me dopar e tirar de dentro de mim esse medo.
Eu não posso gritar, eu não posso chorar, eu não tenho forças pra isso, eu to com medo. Estou passando a maior prova de todas, nunca um momento da minha vida foi tão sombrio e avassalador. Nunca em apenas um mês, o peso de 1 milhão se vidas me esmaga absurdamente tão forte que eu não consigo respirar.
O ar esta pesado, ele é muito pesado. A minha cabeça esta confusa demais pra qualquer coisa, eu só consigo escrever. Não sinto minhas pernas, não escuto nada, não penso nada.
Chega uma hora assim que eu rezo por medo de saber que não sei onde esta mais o sentido de nada praticamente. Nada que estão me dizendo estes dias faz sentido.
Eu não quero comer, eu não quero responder a minha mãe, eu não quero ouvir conselhos de amigos tentando algo que hoje é o que menos importa. Eu estou sozinho e não sei pedir ajuda.
Sim eu fiz algo ainda pior. Ou melhor. Eu ouvi uma amiga e fiz algo impensável. Misturei mais ainda tudo, trouxe a tona mais medo. Abri mais uma ferida, talvez a maior de todas as elas e juntei, juntei com a dor e o medo de tudo que esta acontecendo agora. E então estou ainda mais destruído.
Eu não sei se o que preciso é ajuda, não sei se o que preciso é me calar. Eu não tenho mais respostas, eu desisti.
Sabia que chegaria um ponto que a insanidade iria engolir a razão, e eu me tornaria refém de mim. Hoje esse dia chegou. Eu não tenho mais sentido, eu não vejo nada além e não tenho sequer coragem de aceitar.
Não sei mais o que sinto dentro de mim de tanto medo da solidão. Não é esse tipo de solidão que você pensa. É algo como perder você dentro de si mesmo. Essa solidão de não ter nenhum lugar onde se segurar.

Hoje eu admito que ela venceu.
Eu não consigo mais me encontrar.

Suspiros

Eu não sei dizer adeus. Eu nunca soube. Talvez este seja um dos meus maiores defeitos. Eu não ignoro, não desisto, não aceito, não me conformo em deixar para trás o que por algum momento na minha vida se tornou prioridade e necessidade.
Eu ainda tento entender porque devemos chegar tão longe para morrer. Como se caminhássemos por dias ate chegar a um abismo, e nos atirássemos. E todo aquele tempo percorrido, todo aquele suor e dedicação derramados, se vai em segundos, acabando tudo.
Eu não sei dizer adeus. Não aprendi a enterrar tudo que vivo e esquecer. Ao contrario do que imaginam, dentro de mim só existe vida quando existe razão de viver. E é difícil você ver a razão se perdendo, e toda a fé.
Aqueles sacrifícios que foram feitos, contrariando e lutando contra tudo, provando que além disso, existe algo que ninguém jamais havia descoberto em mim, eu fiz coisas incríveis. Fiz coisas apaixonantes e sinceras.
Não sou perfeito, longe talvez de conseguir ser, mas do que vale a perfeição se ela for mentirosa? Toda verdade tem defeitos, e é por isso que as verdades doem mais que mentiras, porque elas carregam o peso de ver sem mascaras, de encarar o problema na sua frente, e muitas vezes não é suportável. E eu não consigo trair minhas verdades.
Eu não sei dizer adeus. Não sei fechar os olhos e respirar quando algo me sufoca, não me deixa ir, mesmo talvez acreditando que isto possa ser o certo. O certo talvez nunca passe de ilusão, mas a busca por ele destrói qualquer coisa.
Porque construímos? Porque acreditamos? Porque vivemos ao lado sempre tentando ter aquilo que provavelmente não exista?
Hoje minha cabeça vaga por rios de duvida, se perde em meio a confrontos e lutas, questiona, pergunta, caça respostas aonde não existem palavras.
Mas o que sinto é pesado e aperta o peito. Torna tudo ao redor frio e cinza, realça e traz a tona toda angustia da decepção pela vida, e pelo que ela reserva a nós, sempre oferecendo para depois tirar.
Então é isso? São passagens, são caminhos que deixam duvidas sobre tudo que foi feito, passos que foram dados.
Hoje meu rosto retrata a tristeza, mesmo tentando sorrir. Hoje minhas mãos tremem ao invés de punhos fechados, hoje os dias parecem não ter fim a espera da paz.

Eu não sei dizer adeus como dizem adeus à mim.