Mundo Eu

Na minha mente eu renasço, faço parte de um mundo confuso, misturado, fosco e ofuscado. eu crio personagens, monstros, destruo meus medos e sepulto meus inimigos. Livro-me do mal, conduzo um sonho, realizo, morro e nasço quantas vezes eu quiser.
Neste espaço onde ideias se materializam, podemos inventar soluções, amores e vilões. Me apaixono e caso, separo, reconcilio, cometo adultérios, tenho filhos, livro-me de mulheres indesejáveis, e possuo as que nunca toquei. Essa viagem sem fim, esse universo limitado apenas por meus limites.
Quais daqueles dias chuvosos eu recrio, quais daqueles dias de sol, ao vento, eu refaço e reconstruo. Hoje não mais padeço, eu espero que aconteça, eu ilumino meu caminho, deixando livre para continuar. 
Tempestades e redemoinhos, temores, eu passo dia a dia por eles, encaro meus vermes, infernos e lobos, famintos por meu fracasso, tentam me derrubar, me podam e me criticam, mas eu sou uma voz e palavras, imortais.
Não escrevo obras primas, não sou artista, não relato inverdades ou fantasias, não crio universos falsos ou situações hipotéticas, eu registro eu. Um mundo meu, onde você pode estar ou não. Os gritos que no vazio não ecoam, como já dito antes, os gritos que eu calo cada vez que preencho essas linhas, são pedaços de mim vomitados, entalhados a força e vividos, reação as chibatadas que sofro.
Por fora uma diferença plural, por dentro um ser singular. E manter isto dói e custa caro, fere e derruba, e eu sempre digo isso. 
Neste espaço que eu criei, eu levanto uma bandeira e sustento uma idéia, eu debato meu caos e critico seus medos, expresso suas mentiras e assassino sua tese, seu amor juvenil, seu conceito primata. Eu lavo a sua cara com meu acido, desmascaro sua farsa e estampo todos os seus temores. Aqui, neste mundo, você é refém.
Eu não finjo, porque eu não preciso fingir o que você não pode negar, porque se eu fosse simples e normal, você nem notaria, e você me nota, porque eu no meu mundo sou o astro. Um mundo ainda limitado, um pedaço de destino, um futuro incerto, mas existente.
Nesse mundo eu, perfaço e faço eu neste mundo.

A Razão

E dolorido. Ultrapassa toda e qualquer verdade, e quaisquer mentiras, e para aqui, dentro de mim. Eu sofro mais que qualquer um de vocês, quando as luzes se apagam, quando os detalhes renascem na minha mente, eu não seguro. Falo pra você.
Eu só quero seu bem, eu só quero que você viva tudo aquilo que merece viver, por mais que eu relute em não aceitar os fatos, eu preciso deixar você ser feliz, e isso não me inclui.
Eu sou condenado a pagar por minhas escolhas na vida e isso ninguém merece sofrer comigo, nem você. E se o seu amor for verdadeiro como eu acredito ser, que eu não morra dentro de ti, como você nunca morrerá dentro de mim. Merecemos cada passo dado, cada segundo que foi construído, eu ergui cada tijolo por você, cada pedra que eu jamais achei que seria capaz de levantar. 
Mas eu não podia mais, não podia faze-la sofrer por aquilo que sou, e você só precisa do melhor, só isso que eu desejo. 
Eu sofro e sangro da minha maneira, sinto minhas feridas abertas, aperto meu peito e seco meus olhos como se eu não resistisse, mas eu fiz o certo pra você viver pra sempre dentro de mim. Como as lembranças de um belo jardim e um paraíso onde meus passos flutuavam e jamais tocavam o chão, como se transpusessem barreias e oceanos, como se meus sonhos estivessem alcançado a realização. Em todas as noites que eu fechei os olhos ao seu lado, nas que senti seus batimentos puros, eu tentei te proteger de tudo que eu fui capaz, e te ensinar tudo o que eu consegui, eu te dei o mais puro de mim, e por isso eu precisei ir, eu precisei partir.
Não sei até quando eu vou lutar, até quando eu vou aceitar a vida que me leva a isto, eu estou perdendo forças em me entregar, em procurar por aquilo que meu coração não enxerga. Eu não quero mais chorar.
Você foi perfeita em tudo o que fez, você purificou meu coração com seus atos e suas verdades, e eu aprendi com você a aceitar o amor. Você me trouxe luz na escuridão de uma vida, me afagou e curou feridas que eu precisava curar, mas feridas não sanam doenças, e eu, por mais que você tentasse, continuei doente. 
Dói demais, porque as peças se espalham de novo em um quebra-cabeça onde eu nunca encaixo a parte final, onde monto e remonto minha vida desmanchada, trucidada, esmagada. Eu não posso pensar em você sofrendo, eu não posso ver você morrer por ser perfeita demais pra mim, e não aceitei que as coisas continuassem assim. 
Vai ser melhor, eu espero, que as tempestades tragam a luz pra você, por tudo que foi feito e representado. Não tinha mais saída, não tinha como eu achar a solução pra mim, eu não devia fazer errado de novo. 
Eu estou aqui, eu nunca vou te abandonar, porque eu semeio as pessoas que foram e são importantes na minha vida, e você sempre será. 
Queria ter encontrado a razão, pois sei que não sou perfeito, pois sei que as noites que te fiz sofrer não fiz por mal, fiz por não conseguir ser aquilo que queria ser pra você, e espero que você encontre quem queria em mim de alguma forma, em algo, em alguém, e de onde eu estiver eu vou estar sorrindo quando você sorrir, feliz quando vc vencer, e contente quando sentir que você lembrou de mim.
A vida me ensina de novo. Eu nasci pra isso.
Foi eterno.

Suborno-te

Eu, sempre eu, somente eu, vivo este espaço e este universo. Eu somente eu, suborno meus dias a espera de um vão onde eu escape, não ileso, mas inteiro pra um novo recomeço. Ainda assim reluto, em uma luta constante que jamais você enxergaria, pois é transparente, indolor ao seus olhos, impenetrável por suas tentativas de me confortar. Eu dissolvo minha alma pouco a pouco.
Incapaz de prender um amor, capaz de criar amores, imperfeito nos atos, perfeito nas palavras, e por mais que eu relute esta constante permanece, e eu crio e destruo, planto flores e colho espinhos, e mesmo assim eu ainda reluto a secar minhas rosas.
Minha alma padece, diante de mim sobram as migalhas que recolhi, eu permaneço órfão, permaneço obsoleto e absoluto em minhas convicções, e aonde elas me levarem eu suporto, e onde eu ancorar meu coração, será pulsante e eterno.
Se você ler isto realmente, se você absorver isto realmente, eu te encontro dentro dos meus sonhos, caminhando junto com meus passos, pois não há nada que separe você do que eu lhe digo. Eu não profetizo, eu não invento contos onde não me encontro, mas sim apenas transbordo meu luto e dor. Sim, dor, palavra que pode te incomodar mas me alimenta e me inspira, e claro, me derrota.
Enquanto as ondas forem rítmicas, enquanto o compasso não parar, os textos não param, as palavras não somem, porque é incrivelmente forte tudo aquilo que se vive. E eu não destruo minha alma, eu não renego ao meu destino, eu não suborno meu eu. Eu leio as páginas que a vida me escreve.

E onde estará você agora, que se esconde, renegando tudo aquilo que não pode controlar, tudo aquilo que eu plantei dentro de você, não existe a abnegação sem a neurose. Você não pode me substituir, nem me subtrair, não existe a farsa quando eu existi, não existe eu morrer. 
Mas voltemos a mim, eu permaneço em mim, não fujo, eu uso negativas, eu me subestimo, pois nem eu sequer seria capaz de compreender tudo sem pirar. Subjetivos, adjetivos, subjetivamente, adjetivamente, não dou pistas daquilo que não precisa ser encontrado. Esta aqui, minha "amiga", apenas veja, enxergue, eu te maltrato, mas eu ainda te afago em suas crises. Mato-te.
Mantenho perto sendo distante, perto o bastante para que toque seu corpo e renegue sua alma, você, sabe que eu me seguro para não errar. Eu jamais erraria com você, eu jamais errei com você, talvez por isso que você não compreende meus atos e passos. Eu só quero sobreviver. Perceba.

Hoje como ontem, talvez amanha eu relembre os meus passos e minhas quedas, eu serei capaz de remendar minhas feridas, costurar meus retalhos e seguir lembrando das trevas que transpus, dos infernos que vivi, e dos sorrisos que me levaram a eles. 
Eu só venceria matando o amor que existe em cada uma.

A Dor

Hoje é mais um dia como aqueles. Que começam como terminam. Daqueles sem cor e frio, que transborda dor. Hoje como aqueles dias que procuro lembranças pra subornar as horas, e preencher um vazio conturbante. Hoje é um dia que minhas mãos tocam algo sem forma, que minha respiração palpita sem ritmo, nas horas que ponho razoes em uma balança, uma comparação de pros e contras da vida.
Mais dos traços rabiscados no mesmo papel, seguindo a mesma linha, recomeçando um mesmo capítulo por varias vezes, substituindo personagens, que entrar e saem, levando pedaços de mim cravados em suas almas.
Contornos e luzes, venha comigo, não há historias sem tragédias, não há somente momentos de gloria, eu apresento os meus fins e você recomeça me aquecendo deste frio intenso que frisa minhas lagrimas no rosto. Para onde eu olho agora?
Eu preciso desta dor, que alimenta um sentido transformado de vida. Esta dor que provoca a essência irresistível só e pura do que sou, me calando para todo o redor. Um sussurro e tudo vem a tona.
Esta sendo frio a espera da libertação, das passadas largas que marcam a terra que me cerca. Um inferno de resíduos de um passado doente, sucumbindo a vida.
Ouvia vozes e sons, vindos daquele universo imperfeito que eu perfeitamente criei, vistoso.
Hoje é mais um dia daqueles que capítulos são apenas reprises...

Cristalina

Havia um tempo em que chorávamos sem medo. Onde as lagrimas que transbordavam de nossos olhos eram simples e nos traziam acima de tudo aquela sensação de alivio, mesmo que vindas de momentos de perda ou dor. Eram lagrimas cristalinas, reluzindo pureza, sentidos extremos e a vontade de mostrar o quanto nos importávamos.
Pequenas gotas, enxurradas, sussurros, soluções, aperto no peito e mãos no rosto. Chorávamos, e não tínhamos porque esconder, e tínhamos a certeza da verdade diante de nós, sabíamos dos choros por amor, por perda, por dor, por alegria. Estas lagrimas secaram.
E hoje choramos por dentro. Hoje choramos as angustias que a vida nos faz passar. Choros doidos, engasgados, que prendem a respiração e não nos dão respostas, apenas atam nossas mãos e misturam nossas idéias. E cada noite que passamos, acordados, em claro, procurando saídas para que as lagrimas cessem, este choro cresce.
E ainda espero o dia em que estes serão substituídos por sorrisos impulsivos. Que desaparecerão por serem supridos de alegria, de certezas, de respostas dadas, e complementos. Uma volta a sinceridade, um retorno aos bons momentos canalizados em cada gota.
Eu não sei se você é capaz de entender a simplicidade destas palavras. E são apenas palavras. E palavras é o que eu tenho pra usar como fuga, pra usar de uma forma a deixar marcado o que penso, imortalizado.

Hoje escrevo de lagrimas, lembrando os choros sinceros, extintos pela vida que os transformou em representação de dor.

Eu ainda derramo minhas verdades.