Finito

Faz um tempinho que não passo por aqui. Confesso que ando evitando, pensamentos vem e vão, mas eu tenho deixa-los pra trás antes que me sufoquem.
É um trabalho de mente bastante complexo, sofrido, doloroso. Por falar nela, perambula sem me abandonar.
Sempre presente entre dois lados distintos. Harmonioso e fluente, árido e divergente. Sei que hoje desisti de lutar por batalhas perdidas. Que aceitem o fardo da inconseqüência. Eu só lamento.
Tento apenas focar nas estrelas e esquecer os alardes nebulosos, sempre tentando me desfazer, me tragar de volta ao caos. Mas estou vencendo, estou dando meia volta ou volta inteira e ignorando antigos demônios.

A verdade é que meus gritos nunca cessam, apenas engulo seco o berro antes da explosão, e tento enxergar tudo de bom, só o bom como destino ou aprendizado.
As portas de agora lentamente rangem ao fechar, como um choro melancólico de pena, nostalgia, indignação, e lamentação. Esta última por não conseguir encaixar o que eu gostaria.

Vou comigo, vislumbrando entre as frestas raios de sol e sabor de orvalho, campos e campos, a simplicidade da vida escolhida entre varias vidas que passei.
Quero evitar essas visitas, este lugar me assusta, como uma casa cheia de espelhos, por todos os ângulos me rebate a voz que opõe, e a que impõe.
Vou atrás de pareceres, respostas de dentro de mim, sem medo da surpresa, boa ou ruim. Vou levar a coragem, que adormece mas não desaparece, me diferencia daqueles que dela órfãos são.

Eu abro, simulo, e se tudo me fizer olhar a diante, eu provavelmente aceito o desafio.

Só Pra Mim

Eu não queria que as coisas fossem assim. Que elas terminassem assim. Mas não escolhemos nosso destino, passamos por ele. Não gostaria de viver em uma família dissolvida, em um ambiente indiferente, pior muitas vezes que hostil, mas eu não tenho como evitar. Nõ gostaria que minha dedicação jamais tivesse sido reconhecida, e que todas as mudanças que fiz jamais tivessem sido vistas ou condecoradas, mas elas nao foram, e eu nem precisava disso. Nada, absolutamente nada, foi digno de um obrigado, ou de qualquer forma de reconhecer, foi tudo jogado no lixo. 
Hoje eu fico com minha tristeza só pra mim, relembrando fatos, historias, momentos, e questionando se tudo aquilo foi realmente válido, e este questionamento só surge justamente porque você não ouviu nada da boca de quem deveria dizer. Um silêncio pragmático e destruidor.
A vida é injusta. Bom, pra mim. E não me venham falar de coisas superficiais, não me falem de bens materiais, não me falem de nada disto. Eu, apenas eu, posso firmar o que busco e o que gostaria de recompensa. Só sei que até agora, quase na metade da vida, ela ainda não veio. Sim, a vida é injusta. A minha. Até agora, é.
Nunca quis e nem quero aplausos de ninguém. O que sempre quis, talvez ainda queira, é abrir os olhos de quem está próximo a mim para enxergar algo além do que a maioria vê. Não é fácil, não é simples, e requer muito de uma coisa só, confiança. E é difícil. 
A bagunça que permanece em um canto da minha cabeça é fruto do orgulho destruidor de pessoas que se aproximaram de mim sem me conhecer. E não são só desconhecidos. Quando digo isto, envolve parentes, amigos e companheiras. Muitas destas pessoas jamais acreditaram em algo que eu disse, ou entenderam realmente o ponto onde eu estava tentando chegar. Foi sempre alguém tentando mudar o que era impossível mudar. Isto maltrata.
Algumas pessoas são momentaneamente abrangidas por algo sobre mim, o que as faz navegar por entre esse redemoinho, mas tudo passa, e com o tempo, até as mais fortes sucumbem por não terem realmente força de sustentar a pressão, ou a carga de atitudes que isto reserva. 
Como eu continuo dizendo, eu não queria ter o sentimento de tempo perdido, eu fiz tantas coisas, eu fui tão longe, eu vi e vivi diferentes experiências e batalhas, flambadas à vitorias e derrotas. Mas será que sempre lutei ao lado de pessoas erradas? Eu não sei. 
É ruim apostar fichas em algo que vai se dissolver com o tempo, mas não somos capazes de prever os acontecimentos que estão por vir, não somos capazes de coordenar tudo para que caminhe sem erros. Eu sempre tento melhorar, mas dificilmente tudo é entendido. 
Agora eu aceito as mudanças, acredito demais em propósitos, busco o meu a cada segundo e faço tudo pra seguir adiante, por mais dolorido que possa ser, toda historia tem um capitulo final. Indiferente do seu tempo, da sua duração, do numero de capítulos. Elas terminam.  
EU me pego desabafando comigo mesmo, tentando conversar com quem nunca vai poder me abandonar ou virar as costas, eu. Isto não é insanidade, pelo contrario, é uma tentativa desesperada de alinhar desejo, razão, condição. É bem pesado.
Eu não sei quantas pessoas passam por isto no mundo, sei que não estou sozinho, sei que se eu gritar daqui, alguém sempre vai ouvir, e gritar da mesma forma, porque não sou tão diferente da maioria que um dia parou pra pensar. 
Palavras vem, parágrafos vão, e eu não sei bem como terminar isto aqui. Só queria dizer que não estou contente pela situação que vivo onde deveria ser meu porto seguro. Não estou contente com o tempo que me dediquei a certas pessoas pra ter sido jogado no lixo. Não gostaria que as coisas estivessem por um lado tão certas e por outro tão embaralhadas.
Mas esta é minha vida, o que dizer. Eu não altero o que sou, eu sigo meu rumo. Eu posso desejar mil coisas, mas não posso possuir tudo que desejo. Eu só queria que tudo ao redor fosse bem, e que os meus esforços fossem dignos. 
Quem deveria ler estas coisas jamais vai ler, talvez jamais enxergue, talvez jamais seja capaz de olhar além do próprio umbigo e entender que perdeu uma pessoa de valor. Mas os meus valores realmente jamais serão os mesmos dos de muita gente

Orgulho e Egoísmo

Eu queria ter orgulho. Tão grande e suficiente que me fizesse pensar que sou único, e inatingível. Um orgulho tão forte que me cegasse e me tirasse a razão. Que me deixasse escapar pessoas importantes na minha vida por não entender suas opiniões e que estavam ali por mim. Um orgulho tão forte que eu viveria o sonho de alguém, sozinho, por não aceitar que na vida não vivemos só por nós, e sim por quem escolhemos viver. Este mesmo me faria largar tudo, deixar tudo para trás, não importando o tempo que estivéssemos juntos ou todas historias quem criamos, e me esconder sozinho, sem coragem de admitir que o vazio existe. Um orgulho tão forte que se ofuscado até mesmo por quem me quer bem, me fizesse sepultar meus desejos e transformar minha vida num livro sem continuação. Eu queria ter um orgulho assim, que me deixasse tomar decisões só com a razão, e que não ferisse meu peito, me deixando à mercê por acreditar demais e compartilhar demais. Talvez eu nunca realmente seja capaz de cultivar em meu peito tamanho sentimento, que me faça olhar para frente e destruir o que estiver ao meu alcance, por meu orgulho. 

Eu queria ser egoista. Tão egoísta que não sofresse nem nas minhas perdas. Que não me faria diferença quem hoje está ao meu lado ou quem esteve, e que não importasse quem fosse, eu pensaria só em mim. Gostaria que fosse um desses, um egoísmo viciante, que me coloca fora de uma realidade  e dentro de um casulo de solidão e perdas, e mesmo assim eu acharia que estaria fazendo o certo. Eu queria ter egoísmo em meu peito, talvez eu prosperasse, e vivesse melhor sem lembrar que magoei para chegar onde quisesse, e que meu coração é tão duro e frio, que nenhum sentimento além deste existisse. Eu queria ser egoísta, mas infelizmente eu ainda não aprendi como fazer, creio que por puro egoísmo, ou a falta dele. Hoje estaria caminhando com meus próprios pés, eu e mais ninguém, neste inverno frio e silencioso, o mesmo que congela qualquer lágrima que escorra se um dia eu lembrar que este egoísmo me fez perder quem um dia amei. 

A distância...
...não separa sentimentos. Afasta corpos mas não a mente, pois o que mantemos dentro do peito viaja ao infinito. Imortal enquanto existir.

O que separa as pessoas é o orgulho, e egoísmo.

Incertezas

Tenho a certeza do incerto. Que ele faz parte de mim e que me atormenta, me tira o sono e me faz sofrer. Mas nem tudo são dores. Há o que celebrar.
Tenho a certeza do incerto, mas sei que ele me abre os olhos, transforma desejo em coragem, empurrão em passos largos, desafios.
Tenho gana por seguir meu caminho, desconhecido, turbulento, sofrido, e ao mesmo tempo desafiador, desbravante, revelador e satisfatório.

Não sei ao certo onde chegar, não tenho metas a não ser uma só: paz. Não sou tão destemido quanto gostaria mas estou muito aquém do que imaginei um dia poder ser. A minha única certeza é de que um dia terei historias pra contar. Boas ou ruins, triste ou alegres, mas na essência da verdade, a mais pura e vívida verdade.
De peito aberto e passos largos ao muitas vezes desconhecido. O futuro é sempre o próximo segundo, e mais um segredo se revela. Eu tenho isso dentro de mim, como uma incessante sede.
Se errar for necessário, errar é aprender. Vivo aprendendo. E não aceito o talvez como meta, ou como trava para minha vida. Caminho hoje para chegar onde não poderei chegar amanha. Mantendo a mente livre das amarras que tentam impor. Raro aqueles que não sucumbem a lavagem cerebral.

O tempo levou muitas coisas, uma corrente de vento suave e constante, degradando alicerces de amor ou ódio, dissolvendo, crucificando. Laços cada dia mais apertados, poucas pessoas, poucas de verdade.

Diga não ao talvez, diga sim ao sim, desprenda-se para aprender. Eu prefiro os sentimentos à flor da pele. E se morrer que morra de prazer. E se vencer que vença com prazer. E méritos.

Anseio por primaveras calmas e prósperas, cheias de vida e cor, calmas como reluzentes tardes ao por do sol. Olhando para trás como um passado fictício que maltratou minha face, mas não sepultou a alma. Enquanto eu tiver forças, quaisquer que sejam, eu caminho.

Hoje a espera é tortuosa, a harmonia em boa parte se foi, e impera o descaso. Ao meu redor pequenos pontos luminosos em um universo escuro e silencioso, de pessoas sem alma. Procuro enxergar estes pequenos pontos, meu foco.
Me entristece a realidade de falsas promessas, de falsas familias, de descaso. Hoje eu sou refém de algumas convicções e testemunha do fracasso das mesmas. Vivemos por nós, tudo em volta é secundário. Experiencia própria.
Não anseio pelo reconhecimento mais. Não aguardo por afagos, carinhos ou abraços. Feridas doem, cicatrizam e deixam marcas para nunca esquecermos. Mesmo fechadas elas guardam lembranças. E eu não abdico de lembrar. Agora sou incapaz de perdoar.

Um dia o hoje se transformará em ontem, e virará passado. Um dia posso relembrar e sorrir, ou me pegar em prantos. Um dia talvez me assole o arrependimento por ser marrudo, ou me encha de orgulho por ter enfrentado o revés. Sei que passarei por todos esses dias, pois aceitei cada um deles.

Quando tudo terminar, a certeza de que não faltarão historias.

Mas Não

Eu queria sentir raiva, mas não consigo. Queria sentir dor, mas não consigo. Queria pelo menos ser capaz de impulsionar uma revolução aqui dentro, como aliás sempre foi, mas hoje em dia é um estado inerte. Uma pseudo anestesia e complacência assustadora. Eu não me conformo. 

As forças se esvaíram e lutar se torna cada dia mais desgastante e frustrante. Portas que se fecham, rostos que se apagam, sentimentos que dissolvem. Um grande é imenso vazio se forma a cada dia, como um grande lago secando e sendo drenado lentamente, a cada manhã, a cada por do sol.
Acreditar. Palavra que sempre significou muito, mas que não tem a mesma força quando as tentativas desmoronam sucessivamente. Eu deveria saber que tudo tem um preço, e ele é bem alto, muito alto.
Já deixei claro, muito claro, o que se passa aqui dentro.

Gostaria de ter tido ajuda, mas nunca houve. Gostaria de ter sido percebido, mas nunca fui. Gostaria de ter sido ouvido, mas fui ignorado. Hoje eu abri mão daqueles que consciente ou até inconscientemente abriram mão de me enxergar, e não espero mais ajuda, não quero mais ajuda. Não espero mais nada.
Preciso encarar a realidade, preciso aceitar o caminho escrito pra mim, mesmo ele sendo terrível e doloroso. Não estou sendo complacente nem medroso, pois sempre tentei com todas as forças alterar a realidade, mas perdi, fui derrotado por algo muito mais forte, e por mais que eu tente inúmeras é incessantes vezes, é fadado ao erro. Pois não se altera o inalterável. 

Poderia dizer fracasso, mas não vejo mais assim. Poderia acreditar que onde alguns vêem derrota pode haver um sinal para mudar, para tomar atitudes radicais que irão alterar toda perspectiva e ambiente à sua volta. Este é o destino agindo, colocando você em seu devido lugar. O fracasso só existe baseado na expectativa depositada em algo feito sem sentido.
Tudo que me aconteceu ano após ano, me fez crer nisso. Por toda minha vida é por todas as passagens que tive, tudo que vi e vivi, me fez traçar um paralelo com as origens de onde vim, e assim ter convicção de que as coisas acontecem realmente por predestinação. Boas ou más. 
Estou prestes a dar mais um salto de fé. Dentre inúmeros que já dei, arriscando tudo, ganhando ou perdendo tudo, mas com a certeza de ter tentado, mais uma vez, alinhar mente, corpo, alma e coração. Não é fácil, nunca foi. Não é certo, nunca será. Uma busca por enquanto constante por paz, nada além de paz.

Hoje escrevo sem tantas metáforas, sem tantas poesias, sem florear. Algo mais reflexivo do que fantasioso, talvez um pouco espelho da minha realidade atual, sem fantasias. Tenho consciência de tudo que faço, e incerteza em tudo que faço, pois ainda pairam as dúvidas e medos, mas porque temer?
Porque temer se novamente preciso me atirar seguindo o coração e a intuição? Devo apenas ser forte pra sobreviver, ser inteligente para saber identificar meus inimigos e obstáculos, e transpor. Ter saúde, para resistir às chagas que me atingirem, e olhar o horizonte. 
E ao meu lado, de preferência, e se possível, alguém que enxergue em todas as palavras acima um pouco de si, que mescle a mesma realidade e não tema o que está por vir, pois nenhuma tempestade é eterna, nenhuma dor dói pra sempre.

Nesta dissertação não há beleza, nem tristeza. Não há esperança ou derrota. Só mais um texto. Mais uma gota de sangue que escorre sem dor, sem fim. 

Um dia há de estancar.