Ventos Frios

Não há nada mais dolorido que a solidão. Nada que fere mais a alma e destrói alguém que a falta de esperança. Quando olhar para os lados e não existir ninguém, quando erguer seus olhos e não ver nada, com suas mãos esticadas implorando por alguém, e ninguém as segura.
Quando a angustia chega, e você procura por quem gritar, e não existe este alguém. O que você faz?
Os ventos frios que trazem a dor, te isolam, rasgam seu rosto e nada mais resta a não ser sentir o frio cortante que maltrata como uma forma de punição. Não existe saída, ninguém esta aqui, é um sofrimento impar, ninguém esta aqui para eu encostar meu rosto em seu ombro, eu estou sozinho.
Meu sorriso morreu, e junto com ele se foram as pessoas, se foram os amores, a familia, a vida. Junto com ele apenas palavras de adeus e a certeza que irei desaparecer, sozinho, sem ninguém pra quem chorar.
Então é isso, todos os capítulos estão escritos, todas as portas fechadas, pessoas distantes, passados mortos, tudo aquilo que sonhei, não há vínculos, não existe nada além do que vivo hoje.
Eu deixei para trás e perdi minhas vitorias, abdiquei da minha vida pelo meu destino, eu disse adeus aqueles que cresci e os capítulos estão todos com ponto final.
Tem sido tão frio, é um processo lento, uma etapa tão violenta que vai deixar seqüelas, das mais profundas e feridas das quais jamais vou sarar. Eu estou cedendo aos tombos que tomo, meus joelhos não agüentam mais, meu corpo não suporta mais o peso da minha mente.
Quando eu me for, talvez tudo isto seja lembrado como luta, talvez seja visto com os olhos daqueles que forem capazes de entender o que é lutar. Quando eu me for, deixando este lugar, marcando minha passagem através de tudo que até hoje escrevi, que aqueles que lerem finalmente percebam os motivos, percebam o verdadeiro tormento que é tentar viver.
Chegara um dia que estes ventos frios me farão adormecer para sempre e tirarão a força do meu coração. E ninguém além de mim vai presenciar isso.
Pois morremos sozinhos, cada um com sua dor.

Única

Hoje me deparei procurando por algo que não se pode encontrar. Não sei o que me deu, o que eu estava sentindo naquela hora, naquele momento em claro na madrugada, quando resolvi digitar seu nome em um lugar que jamais você estaria.
O que vivíamos era antigo, coisa de verdade, risos de verdade, brigas de verdade, amor de verdade.
Hoje te procurei como um surto, tentando te encontrar por alguns instantes onde quer que esteja. Te procurei na internet, engraçado, você foi embora antes disso, eu sabia que não te encontraria ali. Mas o Google hoje tem tudo, faz tudo, conhece tudo, não você. O Google não sabe quem é você e quem foi você, azar o dele.
Hoje eu tentei encontrar aqueles olhos azuis, aquele nariz que denunciava quem éramos, aqueles cabelos que eu nunca tive. Tentei me ligar à você pelos caminhos que hoje são comuns, mas você não estava lá.
Me nutri de esperanças, busquei pistas, ano, data, imagens, nome. Sei que existem registros, mas eles não estão registrados. Sei que lutei para achar algo que me fizesse sorrir nesta noite longa, nesta noite interminável.
Procurei você, que um dia foi tão próxima e no outro lembrança, que um dia me fez querer morrer para tentar te encontrar, aonde estivesse, se estivesse. Hoje eu estava assim, afoito por uma lembrança, um vestígio.
Hoje passei a noite recriando imagens, refazendo passos, reconstruindo lembranças. Passei a noite segurando sua mão, te puxando, tentando trazer pra mim tudo aquilo que nos unia. Tentei livrar de você aquilo que te levou, ir no seu lugar, e deixar seu brilho ofuscar a visão de todos aqui.
Só por você talvez eu me rendesse, ouviria, aprenderia a como cativar em silencio. Talvez só por você eu aceitaria mudar, retroceder, aprender a ouvir. Mas você se foi a tempos atras, e eu ainda reluto em estar aqui, como sempre com medo de desafiar, ao contrario de você.
Nesta noite eu derramei lagrimas tentando encontrar você aonde não estaria, e aprendi que se eu quiser te achar, basta fechar os olhos, e todo dia você estará comigo.
Pra sempre e sempre.

Histórias


Uma história é feita de capítulos. De momentos extremamente bons e outros tão tristes que nos faz parar de viver. Uma vida é feita de sentimentos, tão simples assim, quanto o respirar. Tudo que sonhamos nos dá esperança. Aquilo que conquistamos nos recompensa. Precisamos de aplausos e afeto, gostamos de amar e ser amado. Conseguimos sucesso, reconhecimento, glórias e louvores.
Uma história é para ser contada por felicidade, vitória, resultado. Isso nós sonhamos em ter, sonhamos em conseguir, levando tudo que vivemos como parte desta historia. 
A vida de alguns é assim - bela e recheada de capítulos felizes - enquanto outros lutam todos os dias dentro de imensos infernos. Uma história ruim e amarga, muito dura, muito castigada. 
Conhecemos pessoas, vivemos juntos, acreditamos em pessoas, vivemos juntos, gostamos de pessoas, vivemos juntos, e esquecemos de pensar no depois, porque na vida, sempre existe o depois. 
Aquilo tudo que um dia foi perfeito se desmancha como um castelo de areia, imponente ao olhar, mas frágil demais para se sustentar assim, forte, firme, demonstrando tamanha grandeza que desafia os demais. Mas é tudo só imagem. Tudo tão frágil que um simples vento o despedaça. É assim que vivemos com pessoas. Amamos e odiamos tão rápido e perto que os dois se entrelaçam, se apertam e se afrouxam, terminando e começando. Um ciclo de uma metamorfose que sabemos exatamente no que se transforma. Perda e dor, dor e perda.
Quantas vidas cruzamos, que passam despercebidas e invisíveis, e como podemos saber se ali não estaria tudo que desejávamos, tudo que sonhamos ao nosso lado. Esbarra, encosta, troca olhares, apertos de mão, e adeus. Ali se foi o que talvez poderia ser tudo. Mas como saber disso? Como acertar quem não magoar e quem não perder. Nunca iremos acertar.
Nas histórias que criamos somos mocinho e bandido, salvamos e matamos, e nunca conseguiremos acertar quem será a donzela apaixonada. 
As vezes eu me pergunto porque temos que conhecer pessoas, continuar conhecendo, mesmo depois de termos passado por tantas relações, mesmo depois de ter errado achando acertar, e continuamos tentando. 
Talvez o segredo seja se encontrar antes de querer encontrar alguem,  talvez a verdadeira paz e sentido só seja alcançado quando sofremos sozinhos, de corpo e alma, pois de cada sofrimento nasce um novo começo. E quando sofremos sozinhos, ou nos curamos ou enlouquecemos, o que também é uma forma de se curar de tudo ao redor.
Eu reluto e luto todos os dias tentando entender todos estes processos, e me preparar para todos eles, mesmo sabendo no fundo que quando eles acontecerem, eu não estarei preparado. 
E irei sofrer.

Caminho

O que me livraria de toda angustia?
Hoje nem mesmo eu suporto meu estado, nervos a flor da pele, irritado, sangrando, decepcionado com tudo ao redor. Ataco tudo que vejo, sem propósito real por conta da intolerância que a vida me fez ter. Ate aqui.
Na verdade é a luta entre uma pessoa que acredita demais em si, contra todos os obstáculos que tentam derruba-la.
Por alguma razão minha mente não me deixa dormir, me acorda em meio ao silencio como um tapa na cara me fazendo sempre e sempre encarar a realidade, forçar-me a tentar achar ima saída, que alias já achei.
Este é apenas mais um relato em vão. Mais uma prece à ninguém, um relato de sufoco. É mais um daqueles textos que não faço forças pra deixar escrito, pois emerge de mim simples e puramente natural. Uma luta que travo a anos, intermináveis anos que se diluem enquanto ao meu redor as paredes se tornam cada vez mais apertadas e claustrofóbicas.
Destino, que me conduz por caminhos tortos, pois sabe que me rendi a ele, uma vitima por simplesmente crer que tens poder supremo e pode criar e destruir alegrias e tristezas. Sou personagem principal da minha história, com roteiro pronto, mesmo sendo triste.
Na verdade eu não perdi o foco naquilo que quero, pois ao contrario do que parece ele sempre esta presente em tudo que tento fazer - eu procuro a paz. Sei que não vou encontra-la contrariando meu coração, acreditando em mentiras, vivendo o que não me faz bem. Eu procuro pela paz senso honesto comigo, marrudo comigo, sem desistir. É disto que eu não desisto, de encontrar o caminho entre as pedras. Dando asas ao destino.
Difícil fazer isso dentro de um circulo contaminado e vicioso, onde a única meta é prosperar artificialmente aos olhos dos semelhantes, lucros, materialismo, aparência, soberba e ostentação do vazio. Difícil não ser julgado como tolo e vagabundo quando não compreendido, pois aos olhos daqueles que não perseguem seu próprio destino e lutam para ser o que a sociedade molda, você é mal quisto.
Me aponte o Norte, me guie por essa escuridão pois sou seu fiel escudeiro e defensor. Alinhe meus pés, erga minha cabeça e deixe o restante comigo, eu vou conseguir. Só não me abandone às duvidas e insônias, aos tormentos diários lutando sem armas, pois você sabe que não posso realmente vencer.
No final, sua vontade prevalecera.
Só peço que quando o momento chegar, e toda a dor que eu sentir nesta transição, valha. E que depois da tempestade que irei criar e passar por dentro, os dias se tornem mais saudáveis, claros e confortantes.
São meus votos de crença.

Vingança

Essa sensação de inconformismo. Esse desejo de não aceitar e o ódio por ter acreditado. Hoje sinto o peso do mundo em meu peito, o amargo no engolir seco e incrédulo pela perda. Hoje a noite atravessa diante de meus olhos, me puxando a realidade e me jogando de novo ao limbo.
Outrora acreditei que poderia encontrar a paz renascendo, que poderia estender novamente a mão que seria levado mesmo que por momentos para longe daqui, mas agora vejo que a mão que me acolhia era a da vingança. Eu estou inconformado. Por não poder ter aquilo que acredito, pois não sei ser o vilão, não consigo. Eu fui um tolo.
Como um castelo de areia que sucumbe por ser fraco, diante da majestade de suas formas, ele cai. Me sinto fraco, traído, usado e atirado aos lobos. Não consigo sentir apenas raiva, o que me domina é a tristeza, é a luta para entender onde foi que eu errei.
Eu busquei ser simples, transformando o impossível em real, concertando erros que cometi, sentei no banco dos réus e aceitei minha pena, e me curei. Voltei e tentei perfazer, e hoje eu estou de joelhos, derrotado. E esta é a derrota que dói, aquela que leva junto com ela um pedaço seu, e deixa uma ferida, que hoje sangra mais que tudo.
Não quero fechar os olhos, pois sei que tudo sumirá, sei que as pedras foram jogadas em um caminho e bloquearam a volta, eu não volto. Frieza, meticulosa, sádica, assassina sem piedade, por um único motivo, vingança. Ela trás o êxtase do momento e o arrependimento final, aquele quando ninguém vê.
Minha noite em claro me maltrata, me pune mais uma vez, qual é a lição? O que devo aprender agora? Nada sobrevive ao meu lado, nada sobrevive ao meu lado.
O que você criou é mal, é maldoso e cruel. Eu não desejo a ninguém e não quero mais isso. Você teve sua chance, eu aceitei que fosse fácil, mas e você?
Hoje eu dormi pensando que amanha já esqueci.