Brilho Fosco
Louvo a paz de espirito. Sentado ao sol, os olhos distantes, fora de meu mundo. Transponho sons, medos e as redundantes angustias. Louvo as chances dadas a mim, de ver através de muros, de sentir com a alma, a mais pura essência.
Louvo o dom de ser amado, de sentir-se amado, e de ter isso pra mim. E ninguém nunca vai tirar o brilho que ofusca a vista dos invejosos. E mesmo na tristeza do erro, e mesmo na escuridão da traição e das mentiras, eu louvo a tentativa, e os acertos acima dos erros.
E acredito que vencerei, talvez não da forma que desejei um dia, mas sendo capaz de perceber a sutileza dos detalhes, a riqueza de uma palavra, e a delicadeza de um gesto. E aqueles que comigo estiverem, cheios de amor estarão. E aquela que criar meu filho, será abençoada, e nunca mais me perdera.(agiliza!)
Louvo a minha pequena capacidade de escrever grandes coisas, e isto me faz bem, e posso mostrar-me, a todos aqueles que são relevantes. Obrigado.
E não escrevo hoje sobre dor, ela hoje não existe. E não escrevo hoje sobre meus gritos mudos, pois eles não existem. E aqui talvez nunca realmente surgirão.
E neste vagão, rodeado por aqueles que jamais me notarão, reservo lugares, que serão ocupados por quem me faz feliz.
Um horizonte de esperança em um infinito de erros.
Este é o testemunho de um segundo mundo, é a vida se faz presente. Sempre queremos tocar nossos sonhos e transforma-los em verdade, eu consigo.
Sapato Preto II
Confissão:
"Hipnotiza, corrompe, pecado que desperta amor. Toque do calor, pedaço de brasa fria, arde sutil, entrega nos olhos o que sente, maltrata os desejos, e deixa, por mais proibido deixa. Contornos fumês, sombra que revela o que mata, satisfaz e provoca e não para. Vicio, desejo e querer. Doce, forte e sincero. Não há razão pra não ser, não escolheu, não decidiu, acontece sozinho. Inocência madura, que pisa onde quer, sapato de vinil. Não tenho culpa."
Culpa:
"Plena e incontestável. Provoca e ameaça, sabes que vence, provoca e consegue, sabes que tens, provoca e pede, sabes que merece. E deseja sem medo, e resiste aos furacões, e provoca e desfalece, sabes que venceu. Culpada por existir, pecado à flor da pele. Quem não entende desdenha, inveja que alimenta. Mas não afaga sua culpa, fato."
Fato:
"Não tem porque não. Medos que se foram, e daqueles que existiam, hoje restam apenas boatos. E quando vêem, não compreendem, e se corroem por isso. E ali onde desejou morar com belas cercas e paisagens, com suas montanhas que se destacam a luz do pôr-do-sol, é onde pretendem morrer."
"Hipnotiza, corrompe, pecado que desperta amor. Toque do calor, pedaço de brasa fria, arde sutil, entrega nos olhos o que sente, maltrata os desejos, e deixa, por mais proibido deixa. Contornos fumês, sombra que revela o que mata, satisfaz e provoca e não para. Vicio, desejo e querer. Doce, forte e sincero. Não há razão pra não ser, não escolheu, não decidiu, acontece sozinho. Inocência madura, que pisa onde quer, sapato de vinil. Não tenho culpa."
Culpa:
"Plena e incontestável. Provoca e ameaça, sabes que vence, provoca e consegue, sabes que tens, provoca e pede, sabes que merece. E deseja sem medo, e resiste aos furacões, e provoca e desfalece, sabes que venceu. Culpada por existir, pecado à flor da pele. Quem não entende desdenha, inveja que alimenta. Mas não afaga sua culpa, fato."
Fato:
"Não tem porque não. Medos que se foram, e daqueles que existiam, hoje restam apenas boatos. E quando vêem, não compreendem, e se corroem por isso. E ali onde desejou morar com belas cercas e paisagens, com suas montanhas que se destacam a luz do pôr-do-sol, é onde pretendem morrer."
Risos Mudos
Sofro sem sentir, sem falar
Tão somente me calo, parado
Não grito, suspiro, ronronar
Dor que não alivia, cala a alma
Se queres percebe arrebatar
Dos pés a cabeça, de dentro pra fora
Luz que se apaga, me ponho a chorar
Não sofra por mim, criatura
Luto por ti, tão bela ternura
Acreditas no amor que corrompe
Sucumbe aos desejos
Não sofra por mim, criatura
Suspiros sem tom, lampejos de alma
Alivia ao toque, afagos, e acalma
Vida em pequenas doses
Rei por um dia, refém para sempre
Suborno do bem, fúteis posses
E por mais que lute, fuga dormente
Não mais caminho pra frente
E leve e solto deixo ser levado
Sofro por tudo, mesmo acabado
Se queres viver, que tenha sorte
Banhos de angustia, regados a morte
Para que cresça de novo o amor
Derrube as paredes que cercam de dor
E por mais simples que se juntam
Estas palavras no fundo não mudam
Simples expor
Impossível transpor
Tão somente me calo, parado
Não grito, suspiro, ronronar
Dor que não alivia, cala a alma
Se queres percebe arrebatar
Dos pés a cabeça, de dentro pra fora
Luz que se apaga, me ponho a chorar
Não sofra por mim, criatura
Luto por ti, tão bela ternura
Acreditas no amor que corrompe
Sucumbe aos desejos
Não sofra por mim, criatura
Suspiros sem tom, lampejos de alma
Alivia ao toque, afagos, e acalma
Vida em pequenas doses
Rei por um dia, refém para sempre
Suborno do bem, fúteis posses
E por mais que lute, fuga dormente
Não mais caminho pra frente
E leve e solto deixo ser levado
Sofro por tudo, mesmo acabado
Se queres viver, que tenha sorte
Banhos de angustia, regados a morte
Para que cresça de novo o amor
Derrube as paredes que cercam de dor
E por mais simples que se juntam
Estas palavras no fundo não mudam
Simples expor
Impossível transpor
O Menino e o Muro
Ofegante.
Assim que ele se sentia por mais uma tentativa. Os olhos ardiam, a poeira que levantava cobria seu corpo, e seus dedos apertavam suas mãos de uma forma a misturar dor, e ódio. Olhar fixo, como o caçador espreitando sua presa, pronto para o bote final.
Mais uma tentativa, queria provar a si mesmo que era capaz, mas sabia das dificuldades, sabia que sem as ferramentas necessárias, transpor esta barreira se tornara um ato único em sua vida. Um ato para vida inteira. Impulso. Salto. Seus dedos rasgam ao toque áspero do concreto, não se agarram, deslizam inquietos por cada vão, e seus pés, mesmo calçados, não achavam a base para um ultimo impulso.
A poeira novamente cobre seus olhos, agora lacrimejantes. O fio de esperança havia se perdido. A dor supera a força, a vontade, a luta por aquilo que se sonha. E sonhar ele havia conseguido, e muito, ao olhar lá de baixo os ventos que sopravam por sobre o topo. Ventos quentes, os mesmos que traziam refletidos os raios de sol, e que faziam ele suspirar.
Socos, não, socos não ajudam meu jovem rapaz, apenas adubam as feridas, e as deixam ainda mais abertas e doloridas. Não, meu jovem rapaz, poupe-se da escárnia.
De costas ele sentou-se, e lembrou que por um dia, por um único momento, seus braços esticados ao ponto de se soltarem dos ombros, lhe deu a chance de alcançar o topo, e um fio de energia puxou seus olhos, que deslumbraram, sem entender, hipnotizados e descrentes, tudo o que ele sonhava, e por ali ele ficou, contemplando, trêmulo, até desfalecer exausto de esforço.
Do outro lado meu jovem rapaz, alegria, amor, louvos e fardos. Pinturas puras, flolhagem sóbria e sutil. De que adianta se pensar?
Das mãos cobrindo a face, escoam lágrimas rosadas.
As mais puras e tristes, vindas da mistura do sangue vivo e turvo, com rios cristalinos, que brotam sem fim dos olhos que subornados, cederam a realidade minutos depois.
Tão alto não, meu jovem rapaz?
Um dia quem sabes cresça ao ponto de com apenas a força de seu peso, desmorone toda a angústia que lhe cobriu a vida infantil, e assim, por sobre as pedras, e cascalhos, por sobre os restos marcados de seus dedos, seus pés transponham a tão impiedosa barreira.
E ao sentir a brisa que antes passava lá em cima, tocar seu rosto como mãos de veludo, você, sorria.
Cai, e sara.
"Vermelho como sangue, que dói aos olhos, que fascina ao brilhar, sem sequer pedir permissão. E gruda a cada toque, e se puxado, sorri, sem nenhum pudor. E enrrosca como pequenos nós, cegos, firmes e fortes. Perfume doce, mel que vicia, seda.
Branca como neve, semente de diamante, que se marca aos apertos, vergões e arranhões. Sente o calor que brota e faz suar, sente os dedos que apertam, subornados por curvas tentadoras, irresistível, presa fácil que mata a qualquer um.
Dourados como ouro, que hipnotizam, que transcedem ao real, passeiam por cada detalhe, pedem e recebem. Se fecham sem controle, confessando o mais puro sentir. Te invadem a alma, sequestro premeditado. Impossível segurar por dois segundos sem se ferir.
Rosa como a flor, mas que morde, deixa marcas, que revela alegria, que tira de você o que tens de mais precioso, e faz questão. Pede, deseja, externa falta de pudor, grita, e se cala. Passeia por cada ponto. Tudo é permitido. "
Supreenda-se com o que não está em livros, sem segredos, sem nexo, sem razão, e porque vivemos assim, e sabemos que nada tira de nós o que chamamos de essência. Primitivo e deslumbrante.
Não, não pense que sabes o que lê. Muleque.
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